Página de quadrinhos com três quadros, um maior e dois maiores. Um motel numa encruzilhada, luzes de neon apagadas com o nome Hotel Limite. do lado esquerdo, o desenho de um olho aberto, do lado direito, um fechado. Ao lado dele, um prédio antigo também de dois andares. Está amanhecendo. O motel e o prédio se refletem numa enorme poça d'água que enche um buraco no asfalto, bem na esquina. Na narrativa em of, a frase: "toda manha..." — um balão de fala sai do motel: "unght!" Abaixo, o título do episódio, num quadro vazio sem margens: "Nascer dói, morrer, nem tanto. No segundo quadrinho, uma mulher indígena usando ternos e botas masculinas, um chapéu caído entre suas pernas, põe a mão na cabeça expressando dor. Na narrativa em of, a frase se completa: "Toda manhã é a mesma coisa!" No terceiro quadro, ela começa a se levantar. No fim do corredor, uma escadaria do lado esquerdo, de onde uma luz ilumina parte da entrada do corredor. Um mulher usando camisa social, gravata e minissaia, sobe as escadas olhando para a mulher de terno. As duas se encaram.
A mulher que subiu a escadaria abre uma porta no fim do corredor e a convida a entrar. Ela entra e a mulher fecha a porta, com um sorriso enigmático no rosto. A mulher alta vestindo terno e chapéu masculino abre um compartimento secreto, empurrando o que parece ser um armário de depósito com utensílio de fachina, e atrás, aparece a porta gradeada de um elevador antigo. No centro, entre os quatro quadros, a narrativa em off da mulher de terno diz: "toda manhã é assim." No quadro seguinte, somente o texto da narrativa, que segue:"Toda manhã acordo nos corredores do motel limite, entro por um elevador que me leva ao prédio contíguo, mas isso é impossível! já que um corredor vazio separa os dois prédios, e o mais curioso, ele me leva direto para outro depósito, nos fundos do escritório onde trabalho." No quadro final, ela é vista de pé, dentro do elevador estreito, iluminada por uma lâmpada fraca no seu topo.
1) A mulher indígena de terno adentra um escritório cheio de pastas de arquivo excedendo os armários onde estariam armazenadas. Á frente no primeiro plano, vê-se uma mesa com um computador de mesa, uma abajur de ferro retangular, etc.
Um ventilador ligado no canto esquerdo do plano. No meio dos escritório, um homem de duas cabeças varre o mesmo.
2) o homem de duas cabeças cumprimenta acenando: "Olá, chefa!"
ele tem duas cabeças totalmente diferentes. Uma, é a cabeça de um típico italiano moreno com um micro bigode, o outro, um mestiço de indígena e português.
3)a mulher acena e cumprimenta enquanto diz: "Oi Acho melhor vocês se dividirem de novo. Já é hora do expediente..."
4)mesmo ângulo. Ela termina de falar: "...e não quero nenhum cliente enfartando pela manhã."
5) plano plongée da mesa do escritório. A mulher puxa a cadeira enquanto segue a narrativa em off das outras páginas: "E toda manhã depois que entro aqui, vejo esse homem de duas cabeças."
1) os dois homens se dividindo em dois homens, com parte das pernas ainda unidas. Um abre a porta dupla de saída do escritório e faz um sinal de "joia", o outro bebe água no bebedouro olhando para um pôster de caléndário de oficina mecânica de 1981, como nome "Oficina doi Pereira". Nele uma mulher loira pisca o olho com uma expressão provocante de pornografia barata daquela década enquanto malha com dois pesos e sua vagina está exposta pelo maiô ter sido puxado para o lado onde a cobria.
a narrativa em off da mulher indígena segue: "eles se dividem e saem a campo, investigando e fazendo pequenos serviços para mim. Pedro Jorge e Jorge Pedro.
2) a mulher já sem o chapéu e o blazer, sentada na cadeira, apoiando os braços nas pernas, olha para o lado esquerdo do enquadramento(em direção às janelas)
3)ventilador em primeiro plano. No segundo plano, a mulher se ergue da cadeira. Segue a sua narrativa/pensamentos: "Tudo lá fora é tão absurdo quanto aqui, embora mais óbvio."
4)visão do lado de fora do prédio. dois homens na rua olham para a janela onde ela está parada, agora, olhando para a mesma rua.
"Mas o que esperar? Nem eu mesma sei quem sou. Acordo todo dia naquele corredor, lembro dos dias anteriores..."
5) na contra luz agora o plano a enquadra de costas, acendendo um cigarro diante da mesma janela.
6)close no seu rosto de perfil em silhueta diante da janela, soprando a fumaça da primeira tragada.
"Mas não lembro de onde vim nem onde nasci, nem de quando acordei pela primeira vez."
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4 páginas de Motel Limite