Aos vermes que curtem roer minhas entranhas:
Comam tudo!
O Fígado que ainda não matei de cirrose,
as tripas, das quais fiz coração,
meu cérebro, imundo e com ansiolítico.
Meu miocárdio, desgostoso com a vida,
e cheio de amores platônicos.
E bebam todo o meu sangue, Cantina da Serra,
até eu estar seca.
E ao sentir meu mal estar, não fiquem delgados!
Lancem meu intestino reto aos porcos, como se minha podridão não existisse...
Façam bexigas com os meus pulmões, esvaziando deles o ar tóxico.
E se deleitem com meus rins, que não só filtram excrementos,
mas que também engolem sapos, e tem pedras de palavras não ditas (e malditas).
E ao terminar tão louca antropofagia,
descartem minha pele e meus ossos no lixo,
assim como eu descarto minha língua e minhas orelhas:
Com os olhos cheios d'água.
E-Visceração.
Poesia de projeto pessoal.
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